sexta-feira, 9 de julho de 2010

D Edney, D. Clemente e D. Waldyr
ERRATA
   Assumir o erro é também uma prova de respeito ao leitor e de compromisso com a ética e a verdade dos fatos. Lamentavelmente cometemos alguns equívocos, poucos até, na matéria sobre o Jubileu de Ouro de Dom Clemente Isnard e por isso, estamos republicando o texto na íntegra, agora correto. Infelizmente, chegou a nossa  primeira vez de errar e por isso, pedimos desculpas, principalmente a nosso Bispo, Pastor e Pai, D. Clemente, por quem temos profundo, carinho, respeito e admiração. Paz e Bem. José Duarte. editor
Centenas e católicos lota Catedral
para Jubileu de D. Clemente Isnard
        O primeiro bispo da Diocese de Nova Friburgo Dom Clemente José Carlos Isnard, que completa Jubileu de Ouro Episcopal dia 25 de julho, foi homenageado sábado na Catedral São João Batista, com missa presidida por ele e que contou ainda com D. Edney Gouvêa Mattoso (atual Bispo Diocesano) e Dom Waldyr Calheiros (Bispo Emérito de Nova Iguaçú)
        Dezenas de padres compareceram além de religiosas e religiosos e centenas de católicos que têm em D. Clemente exemplo de humildade, sinceridade e vida dedicada aos menos favorecidos pela sorte. A liturgia do dia extraída de Efésios 2, 19 – 2S, salmo116, São João 20, 24 – 29, exaltou o Bom Pastor.
         A homilia foi dividida em duas partes. A primeira com D. Edney Gouvêa Mattoso que ressaltou “ a presença de D. Clemente, seu carinho com o povo, sua atuação como verdadeiro Pastor, sempre carinhoso, preocupado com os pobres, atento a liturgia e a hierarquia da igreja, zeloso com o clero e acima de tudo, um pai para os pobres. Uma personalidade nacional e internacional que nunca se esqueceu das milhares de ovelhas que adquiriu ao longo de 33 anos de episcopado, num momento difícil da Diocese que não tinha as facilidades de hoje. D. Clemente pode estar certo que como um homem santo que é já tem seu lugar garantido no Reino dos Céus, pois nunca se negou a atender a ninguém, atendia a todos com a mesma atenção, o mesmo carinho e o mesmo amor de Pai”. É uma honra ter aqui o Bispo que fundou a Diocese 50 anos depois para comemorar seu jubileu episcopal”, afirmou D. Edney.
           A segunda parte da homilia foi proferida por D.Waldyr Calheiros, que acompanhou , inclusive depois que ele deixou a Diocese e foi Vigário Geral de D. Mauro Morelii em Duque de Caxias. “ há muito o que falar de D. Clemente e se ficássemos aqui uma manhã inteira seria pouco para destacar todas as qualidades desse beneditino que se tornou bispo e continuou seu trabalho de apascentar as ovelhas. D. Clemente foi aquele pai que muita gente gostaria de ter e não teve, especialmente para o clero diocesano. Um Bispo que não sabia chamar atenção de ninguém e quando tinha que faze-lo se reunia separadamente, mostrando seu espírito desprendido de vaidade e apego”, finalizou D. Waldyr
          Gozando de pleno vigor físico e com um tom de voz de impressionar a muita gente, o homenageado do dia que foi presenteado após a comunhão, se manifestou fazendo um relato de seus 33 anos de bispado em Nova Friburgo, lembrando que ele encontrou aqui 80 comunidades e hoje tem quase 500. D. Clemente encontrou a Diocese com 17 paróquias, criou mais 24 e deixou com 41; seu sucessor D. Alano criou mais 9 e D. Rafael 5 paróquias, que totalizam, hoje 55. Ele lembrou sua chegada em 1960 quando foi recebido pelo Governador Roberto Silveira, o atual prefeito Heródoto Bento de Melo a o então Núncio Apostólico D. Armando Lombardi, “ naquele dia fomos recebidos com tapetes de flores em toda extensão da Avenida Aberto Braune, um momento muito emocionante”, destacou D. Clemente. Mas D. Clemente relembrou as assembléias diocesanas, “realizamos 13 assembléias diocesanas, meu sucessor D. Alano depois realizou uma e agora fico feliz em saber que D. Edney vai realizar a 15ª. Passamos períodos muito difíceis, fizemos muitas amizades, tivemos o carinho do povo nas ruas e onde passávamos, éramos cumprimentados calorosamente. Lembro-me do 1º padre que ordenei até o último antes de sair, tenho que agradecer ao Monsenhor Teixeira, Monsenhor Mieli e Monnsenhor Ivo Donin que foram meus primeiros braços direitos. A CNBB e o Concílio Vaticano II me ajudaram muito a formar a Diocese, mas também todos os padres, leigos e não posso esquecer de fazer um agradecimento todo especial a D. José de Almeida Pereira, ao padre Romero e a Irmã Cândida. Enfim é muita gente que tenho que lembrar, mas tenho medo de cometer injustiça. A verdade é que nos 33 anos de trabalho, pude colher todas as graças de Deus”, finalizou D. Clemente.
              Falando e nome do clero diocesano o padre Luiz Claudio assim se pronunciou, “ D. Clemente não posso deixar de falar sobre o senhor que além de bispo foi um pai para mim, me acolhendo aqui na Diocese e me ordenando padre. É muita alegria como disse D. Edney ter aqui 50 anos depois o Bispo que fundou a Diocese que o senhor pegou com 80 comunidades, hoje tem quase 500 e cresce a cada dia, fruto da sua incansável fé e amor a Deus. O senhor criou as assembléias diocesanas, participou do Concílio Vaticano II e da Conferência de Puebla, fez inúmeras visitas pastorais, organizou toda parte social da Igreja Particular de Nova Friburgo, lutou pela reforma agrária, principalmente nos municípios de Cachoeiras de Macacu, Trajano de Morais e Conceição de Macabu, realizou o sínodo diocesano em 1991, e uma série de outros trabalhos que deixou como legado para que todos nós hoje possamos desfrutar dessa beleza que foi o seu pontificado”, finalizou o padre. Assim que foi encerrada a missa foi oferecido um almoço de confraternização na sede da Cúria Diocesana
        UM PUCO MAIS SOBRE D. CLEMENTE - Nasceu no Rio de Janeiro, na rua Paissandu, 106 em 8 de julho de 1917. Terceiro filho de seus pais, tem uma irmã e um irmão. Foi concebido cinco anos após depois de seu irmão. Sua mãe à época tinha 40 anos, seu pai era comerciante de automóveis na rua Sete de Setembro. Ainda na árvore genealógica da família, Dom Clemente é neto de imigrante francês, chegado ao país em circunstâncias estranhas. Seu avô veio brigado com a família de Toulouse, Sul da França; de lá seu avô embarcou para a Australia, pois seu pai tinha se casado pela segunda vez e ele não aceitava essa união. Filho Ernesto Isnard e Zulmira de Gouveia Isnad, nasceu em 08 de julho de 1917, no Rio de Janeiro, foi ordenado sacerdote em 19 de dezembro de 1942, nomeado bispo em 23 de abril de 1960, sagrado em 25 de julho de 1960. Em 26 de março de 1960 o Papa João XXIII criou a Diocese de Nova Friburgo, através da bula “Quandoquidem Verbis” desmembrada das dioceses de Campos e Valença, sendo núncio apostólico da época Dom Armando Lombardi.
              Um mês depois D. Clemente foi nomeado primeiro bispo da Diocese e tomou posse em 25 de agosto de 1960, adotando como lema: “Te Pastorem Sequens” que traduzido para o português quer dizer Seguindo-te como Pastor. Sua passagem pela Diocese foi das mais profícuas, pois organizou as pastorais, criou dezenas de paróquias, constituiu milhares de amigos em todos os 19 municípios e transformou a diocese como exemplo para todo Estado do Rio de Janeiro.
        Escreveu vários livros e foi empossado membro da Academia Friburguense de Letras e Associação Friburguense de Imprensa. Um dos principais escritos de sua autoria foi Magistério Episcopal (edição da diocese) com artigos da REB em Grande Sinal. No início de seus estudos, D. Clemente teve um professor particular, apesar de sua mãe ter cogitado a hipótese de coloca-lo no Colégio Santo Inácio, Seu professor, foi Ernane Reis, um notável que também lecionou para as famílias Guinle e Paula Machado. Com alguns de seus poucos professores católicos, como Alcebíades Delamare, e amigos, que freqüentavam as mesmas aulas, como Francisco Augusto de La Roque, que chegou a reunir outros alunos, também católicos, criou um outro centro de estudos religiosos, porém a maior paixão de Dom Clemente, era realmente a Ação Universitária Católica, na Praça XV.
         Teve a honra de ser amigo dos principais nomes da política, social e cultural do país como Alceu de Amoroso Lima, Senador Vergueiro, Lurdinha – neta do Conde Paes Leme, Carlos Lacerda, o poeta Raul de Leoni Ramos, Jayme Ovale e muitos outros. Ele viajou quase o mundo inteiro pregando o Evangelho de Cristo e se notabilizando por suas opiniões sobre política, cultura, religião e outros assuntos. Foi e ainda é a maior autoridade em liturgia religiosa, pois seus escritos ainda hoje, estão à disposição de todas as pessoas que se interessarem. Exerceu o cargo de vice-presidente da CNBB por vários mandatos; Coordenador Nacional de Liturgia; Vice-presidente do CELAM (Conselho Episcopal Latino Americano); conviveu com quatro diferentes Papas: Paulo VI, João XXIII, João Paulo I e João Paulo II. Tinha o carinho de todos eles, e constantemente era chamado ao Vaticano para reuniões de importância da religião católica. Foi um dos poucos bispos brasileiros a ter importância no Concílio Vaticano II e nas reuniões especiais de Medelin e Puebla, escrevendo inclusive documentos importantes sobre os dois grandes eventos da década de 70. Sua passagem pela Diocese foi das mais profícuas, pois organizou as pastorais, criou dezenas de paróquias, constituiu milhares de amigos em todos os 19 municípios e transformou a diocese como exemplo para todo Estado do Rio de Janeiro. Era sócio número 078 da Associação Friburguense de Imprensas (AFI) e Academia Friburguense de Letras (AFL).
            Governou os católicos de Friburgo por 33 anos de 1960 a 1994, quando foi sucedido por D. Alano Maria Pena. Criou o próprio clero, trouxe padres espanhóis e italianos para a diocese que foram de fundamental importância para o desenvolvimento pastoral. É tido como o Pastor de todos os momentos, pois tinha sempre uma palavra de carinho para todos que o procuravam. Sua voz serena e seu estilo calmo, típico de monge beneditino, o consagraram como um bispo confidente e aconselhador. Mesmo quando tinha que chamar atenção de alguém, D. Clemente jamais alterava a voz. Organizou o Seminário Diocesano que funcionou em Lumiar, depois Prado, e hoje está num moderno espaço, de característica suíça, no Tingly, do qual participou da inauguração no último dia 19 de agosto de 2006.
           Depois que deixou a diocese doou todos os seus paramentos para o museu diocesano. Retornou mais oito vezes e numa delas em 2004, para celebrar uma missa de pedido de perdão aos padres Antonio Manguti, José Suarez e Fernando Rojo Hernandes, em virtude dos acontecimentos lamentáveis de 1985 que culminaram com o afastamento dos três religiosos da diocese.
         Exercia muita influência nos principais dirigentes da nossa cidade a ponto de ter sempre o carinho de todos eles, seja qual fosse o partido, cor da camisa, agremiação política, cargo ou função na sociedade. Dom Clemente era sempre procurado para aconselha-los na hora de uma decisão importante.
          Se antes de encerrar seu episcopado em Nova Friburgo tinha sempre a agenda cheia com pregações de retiros, palestras, conferências, encontros e outras atividades no Brasil inteiro, quando saiu, esse quadro não mudou e até há pouco tempo atrás, o nosso bispo mais querido tinha uma agenda bastante lotada. No ano de 2004 teve sua vida contada no livro Na porta do Mosteiro, escrito pelo professor Alexandre Gazé e em 2008 publicou o livro Reflexões de um bispo, quando fala sobre as instituições eclesiásticas atuais.

FOTOS LEOANRDOVELLOZO
D. Edney proferiu a homilia da missa

D. Waldyr Calheiros contou a trajetória de D. Clemente
D. Clemente presidiu  a missa solene



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Padres, religiosos e amigos, lotaram a Catedral

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