segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Escola de samba Unidos da Saudade virou um velório improvisado

            Decorada com temas indígenas, que era o samba-enredo para 2011, a quadra da escola chegou a guardar 140 caixões de vítimas identificadas ou não da cidade serrana do Rio. Metade do galpão é ocupada pelos carros alegóricos. A outra foi tomada por caixões, um total de 24 esperando pelos militares que os levariam para o cemitério Trilha do Céu, que estava isolado por deslizamentos até este sábado. Por lá, as covas foram abertas durante toda a noite.
          Três caixões na quadra estavam amarrados, pois os tampos saltaram pela quantidade de gases emitidos pelos corpos em adiantado estado de putrefação.
            A escola de samba foi escolhida para a função pela prefeitura por conta de sua localização e pelo amplo espaço coberto. Desde a quarta-feira de chuvas e deslizamentos, o local serviu como local de identificar e velar os mortos. Muitas vezes, nem isso era possível. Após permissão do Ministério Público, os corpos estão sendo fotografados e as impressões digitais registradas para posterior identificação.
        Atual campeã do carnaval, com 18 títulos na história, a Unidos da Saudade já tinha escolhido o samba, ensaiado o desfile e preparado as alegorias em branco e roxo, suas cores. “Estamos prontinhos, mas nós estamos muito sensibilizados. Os carros alegóricos vão ficar para 2012”, conta o presidente Luiz Carlos Teixeira.

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