11 de janeiro, terça-feira, 16h
Rua São Roque – Olaria
Um prédio de dois andares cai e mata duas pessoas. Nesse instante não chovia na cidade. Não se sabe oficialmente as causas do desabamento. Parecia um aviso da tragédia que estava por vir.
23h – Começa a tempestade em toda cidade. Em quase dez horas de chuvas a precipitação chegou a 300 milímetros.
12 de janeiro, quarta-feira, madrugada.
Começa o maior pesadelo já vivido pelos mais de 180 mil moradores de Nova Friburgo.
Encostas deslizam, rios transbordam, avalanches dizimam comunidades inteiras.
O fornecimento de energia e água são interrompidos, assim como a telefonia fixa e móvel, impedindo até mesmo o acesso aos serviços de emergência. Em meio a gritos, pedidos de socorro, moradores desesperados em todos os bairros e distritos tentavam salvar vítimas em meio aos escombros. Um cenário de caos absoluto.
12 de janeiro, dia claro.
A população desnorteada sai para as ruas e constata a avassaladora destruição da cidade. “Um verdadeiro tsunami vindo do céu”, comentou um morador.
Um edifício residencial na Rua Cristina Ziede, no Centro, desaba e soterra dezenas de pessoas, inclusive três bombeiros, que tentavam desesperadamente resgatar vítimas e foram atingidos violentamente pelo deslizamento de outra encosta no local.
O ginásio Celso Peçanha, anexo ao Instituto de Educação de Nova Friburgo, é aberto para receber os corpos resgatados na catástrofe, transformando-se num grande IML provisório.
A Praça do Suspiro, um dos principais pontos turísticos da cidade, é totalmente devastada. Toda a encosta do Morro do Teleférico deslizou destruindo a Praça das Colônias, parte do Tiro de Guerra, a centenária Capela Santo Antonio, e o Teatro Municipal.
O Rio Bengalas transborda e espalha um rastro de destruição por todo centro da cidade e o distrito de Conselheiro Paulino, atingindo inclusive a Paróquia São Francisco de Assis, diversas lojas e inundando garagens de edifícios residenciais no eixo rodoviário.
O pré escolar do Colégio Anchieta também foi totalmente destruído.
O bairro Vila Amélia é devastado, isolando a 151° Delegacia de Policia, o bloco carnavalesco Globo de Ouro, Sesi, condomínio Bom Pastor, Fábrica de Filó, Filó Esporte Clube e dezenas de residências.
O bairro Lagoinha também é devastado, destruindo completamente o Hotel Olifas. A rua que dá acesso ao bairro se transformou num verdadeiro rio.
Quedas de barreira impedem acesso a maioria dos bairros e loteamentos por todo o município.
Rios e córregos afluentes ao Bengalas invadem casas e mudam seu leito natural.
O bairro Duas Pedras também é barbaramente atingido. A praça Prudente de Moraes é arrasada. O Hospital São Lucas situado no quilômetro 1 da RJ 130 (Nova Friburgo – Teresópolis), teve o setor de pediatria, anexo ao prédio principal, cedeu atingindo a Rua Hélio Veiga, causando o desabamento de várias casas. Pelo menos cinco moradores morreram. O acesso aos demais hospitais particulares também é impedido.
Os bairros Córrego Dantas, São Geraldo, Conquista, Solares, Campo do Coelho, Riograndina, Chácara do Paraíso, Nova Suíça, Amparo, todos os loteamentos do distrito de Conselheiro Paulino, São Pedro da Serra, Lumiar, foram tragicamente atingidos com centenas de deslizamentos de encostas e transbordamento de rios e córregos. Instaura-se um verdadeiro cenário de guerra, na tentativa de resgatar sobreviventes.
13h15 – A presidenta Dilma Roussef desembarca no Estádio Eduardo Guinle ao lado do governador Sergio Cabral, seis ministros de Estado e ao lado do prefeito Dermeval Barboza Moreira neto visita várias áreas atingidas. Em seguida, Dilma se reúne no gabinete do Palácio Barão de Nova Friburgo e libera verba emergencial de R$ 780 milhões para recuperação da cidade.
14h30 – Chegam à cidade as equipes da Força Nacional de Segurança e montam hospitais de campanha na Prefeitura de Nova Friburgo, Praça Dermeval Barbosa Moreira e Praça 1° de Maio em Olaria.
17h – O prefeito Dermeval Barbosa Moreira decreta estado de calamidade pública e luto oficial de 30 dias. O governador Sergio Cabral decreta luto de sete dias no Estado do Rio e a presidenta Dilma Roussef decreta luto oficial de três dias em todo Brasil.
13 de janeiro, quinta-feira.
Começa o trabalho de reconstrução da cidade. Postos de arrecadação de alimentos são montados. Igrejas católicas e evangélicas abrigam sobreviventes, voluntários são cadastrados na Prefeitura para o trabalho de reconstrução. Durante todo o dia a movimentação toma conta da cidade.
O comércio permanece fechado devido a impossibilidade de locomoção dos funcionários.
14 de janeiro, sexta-feira.
11h – Um boato dando conta que uma adutora tinha se rompido, causa pânico na cidade, levando muitas pessoas ao desespero.
Equipes da Força Nacional de Segurança intensificam os trabalhos de tentativa de resgate de vitimas soterradas nos locais de deslizamento, acreditando-se que ainda tenham pessoas vivas.
Sexta, 14; sábado, 15 e domingo, 16 de janeiro.
Continuam as buscas incessantes por sobreviventes e corpos nas áreas atingidas. Em algumas localidades o socorro só chega por helicópteros das forças de segurança. A telefonia fixa e móvel permanece inoperante em diversas localidades. Mutirões da prefeitura, voluntários e equipes de segurança investem no trabalho de resgate de vítimas e corpos. Há dificuldade de deslocamento em todos os bairros devido ao impedimento parcial das vias.
17 de janeiro, segunda-feira
13h - o corpo do ex-prefeito Paulo Azevedo é encontrado e enterrado sem velório.
16h - O número de óbitos ultrapassa a 300 pessoas.
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