O amor ao próximo através
da entrega sacerdotal
José Duarte
A maior tragédia brasileira começou na tarde de 11 de janeiro quando um pequeno prédio caiu na rua São Roque em Olaria e vitimou fatalmente duas pessoas. Até aquele momento ninguém podia mensurar o que estava por vir no resto daquela noite e durante toda madrugada de 12 de janeiro, pois 8 horas de chuva forte e 300 milímetros de água, devastaram a cidade, de tal forma que ainda hoje sentimos a tristeza no semblante dos friburguenses.
Evidentemente que todo cristão, católico ou não, no Day Afther da catástrofe se posicionou em serviço de solidariedade e arregaçando as mangas partiram para o trabalho voluntário. Pessoas de todas as idades, cleros, posição social, profissão, friburguense ou não se envolveram num mutirão que salvou vidas, resgatou corpos soterrados, ajudou no trabalho de encaminhamento de donativos, auxiliou em hospitais e etc.
Todo católico, por mais leigo que seja, sabe o que é “Ser Padre”, pois cada um tem seu sacerdote no seu bairro, capela ou paróquia e ao lado dele, procura vivenciar na pura expressão da palavra o “Ser Igreja”.
Não deveríamos destacar ninguém, pois o momento era, foi e ainda é de muita, mas muita solidariedade e amor ao próximo, documento principal e um dos requisitos para todo aquele que deseja seguir a carreira sacerdotal.
Mas não podemos nos calar diante de cinco padres que foram incansáveis: Padre Flávio Vieira Jacques (Paróquia São Roque), Padre Antonio Leão Ferreira (Paróquia São Francisco de Assis), padre Sergio Vitorino da Silva (Paróquia São Pedro e São Paulo em Duas Pedras), Padre Miguel Angel Marquiegui Zubiarrain Paróquia Santa Terezinha em conselheiro Paulino), Padre Romivaldo José Reis de Azevedo (Paróquia Nossa Senhora do Rosário – Riograndina).
Demonstrar sua fé e amor ao próximo no dia a dia dentro de suas igrejas, já é normal para todos eles, mas temos que elogiar a atitude deles, e não poderia ser diferente: enfiaram o pé na lama, conseguiram doações, abrigaram pessoas em suas igrejas, prestaram auxílio e ainda vem prestando de todos os tipos, distribuíram doações que conseguiram em vários lugares e não faltou a palavra de carinho. Sensibilizados com todo este ato de entrega sacerdotal num período em que alguns estavam curtindo de férias, toda comunidade destas cinco paróquias querem parabenizar os cinco representantes de Cristo.
Era comum ver o padre leão de bermuda, bota de borracha em todos as partes da cidade, ajudando a tudo e a todos e ele foi um dos mais prejudicados porque viu sua paróquia (São Francisco) receber 2,5 metros de água, perdeu as capelas de Santo Antonio e Santa Luzia, mas não perdeu a esperança de salvar o maior número de vidas. Padre Miguel em Conselheiro, não foi diferente a ainda hoje tem dezenas de pessoas abrigadas em sua paróquia. Em Riograndina, um dos bairros mais atingidos, o Padre Romivaldo fez o possível e o impossível para manter todo seu povo unido, diante de uma tragédia que matou mais de 50 pessoas no bairro. Na paróquia São Roque, em Olaria, a menos atingida dos cinco padres, mas padre Flávio não se contentou em ficar dentro de casa e veio para as ruas, dar sua contribuição, esteve em todos os lugares e ainda abrigou pessoas na sua casa. Por fim o padre Miguel em Conselheiro, colocou seu sacerdócio à disposição de tamanha tragédia e também abrigou pessoas, foi para as ruas arrumar donativos, visitou famílias, ajudou carregar e descarregar caminhões e etc.
Elogiar um padre hoje em dia é muito difícil, pois a grande mídia só se lembra da igreja, quando é para divulgar erros, escândalos, por isso, não temos que ressaltar o trabalho desses cinco padres da Diocese de Nova Friburgo, que deram exemplo para o mundo inteiro do que significa o termo “Sacerdus in Eternus”. A Diocese está de parabéns por possuir padres como estes que viveram o Evangelho de Cristo durante essa tragédia, acolhendo as ovelhas que naquele momento estavam perdidas e sem rumo.
Capela Santo Antonio, totalmente devastada
Capela Santo Antonio, totalmente devastada
Padre Leão teve sua paróquia totalmente inundada e ainda perdeu as capelas Santo Antonio e Santa Luzia


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