segunda-feira, 21 de março de 2011

O jejum agrada a Deus (Rafael Archetti)

         “Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto” (Mt 6, 17). Não é sem propósitoque iniciamos o itinerário quaresmal auscultando dos Santos Evangelhos a voz do Senhor a exortar- nos nesta salutar prática penitencial. A Quaresma caracteriza-se, como há muito haurimos dos inestimáveis escritos dos Santos místicos, pela tríplice elevação do espírito humano, nas práticas de humilde penitencia que nos fazem reconhecer nossa limitação e transitoriedade desta vida: jejum, esmola e oração. Redução das vontades humana que nos levam a Deus...
     Assolação que eleva! Pelas práticas penitenciais tendemos a considerar aquilo por amor a Deus não para o treino de nossa resistência à dor ou privação material, porém sim, como supramencionado, progredir no desenvolvimento de nossa humanidade na profunda intimidade com Deus.
      Penitenciar- se não é imergir-se na tristeza ou revolta contra a obra benevolente da criação. Ao contrário, aquele que pratica tais exercícios quaresmais o deve fazer primeiramente com o coração (cf. Sl 50), pois a Deus, e só a Ele, interessa-nos fazer chegar nossa súplica de perdão.
       Por este motivo, o conselho do Senhor é que cuidemos para não buscarmos neste mundo as recompensas que apenas deveria alegrar-nos receber de Deus. “Teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á” (Mt 6, 17b) . Aos olhos humanos o assentimento não se faz necessário... Este tempo de preparação para a Páscoa sinaliza, ainda, que embora nossa caminhada seja marcada por tropeços e quedas, existe um tempo em que seremos consolados, pois como diria o salmista, “pela tarde, vem o pranto, mas, de manhã, volta a alegria” (Sl 29, 6).
       E mesmo que vivamos em meio às adversidades deste mundo, requerendo de nós as agruras de uma existência marcada pelas contrariedades de nosso querer, devemos fitar a meta com esperançoso aguardar. Pois mesmo que nossas vontades ora sejam inoportunas, causando-nos dor, concluiremos como o salmista: “Vós convertestes o meu pranto em prazer, tirastes minhas vestes de penitência e me cingistes de alegria” (Sl 29, 12) . (Rafael de Oliveira Archetti - A. D. MMXI)

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