sexta-feira, 30 de abril de 2010

Arquidiocese de SP repudia declarações do presidente do TJ sobre pedofilia

       O vigário da Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo, Antônio Aparecido Pereira, classificou nesta sexta-feira como grosseiro e preconceituoso o termo usado pelo presidente do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo, Antonio Carlos Viana Santos, para se referir às vitimas abusadas sexualmente por padres.
        Viana Santos disse ontem que as vítimas de pedofilia, em cidades pequenas, ficam rotuladas como "comida de padre". "É preciso que a Igreja seja tratada com mais respeito, a forma como ele tratou o Papa e a pedofilia não fica bem para um magistrado que está à frente de um Tribunal de Justiça", disse o vigário.
       A declaração do presidente do TJ-SP foi dada durante o lançamento da Fórum Internacional de Justiça nesta quinta-feira (29). O evento será realizado entre os dias 13 e 15 de maio e entre os temas do debate está a pedofilia.
         O presidente afirmou que a Justiça encontra dificuldades nesses casos porque a vítima não denuncia e sofre preconceito. 'Desculpe o termo, são todos maiores, eu sei que vai para o ar, mas já imaginou numa cidade de 100 mil habitantes: 'ah, aquele lá é comida de padre'. Já imaginou como fica na cidade? Então ele se retrai, se esconde', disse Viana Santos ontem durante o evento.
       Ao justificar a escolha do tema para o Fórum, Viana Santos citou o papa em outra afirmação polêmica. "Vamos discutir esse assunto em um momento que, penso eu, vai dar muita discussão por causa do Vaticano, primordialmente por causa do papa. Não estou dizendo que ele é pedófilo, mas a pedofilia e a batina é um tema pouco enfrentado", disse.
    Para o vigário, houve um pré-julgamento de Viana Santos. "Toda a Igreja de São Paulo e do Brasil se sente ferida. O que a Igreja quer é que se rompa o silêncio, a Igreja não está escondendo casos e nem obstruindo a Justiça. A pedofilia existe na Igreja, na família e em outros ambientes", afirmou. (Juliana Granjeia - Folha de São Paulo - UOL)

Nenhum comentário:

Postar um comentário