Um home de Deus com 50 aos de
vida dedicados à Igreja Católica
Bispo da Diocese de Nova Friburgo desde 20 de junho de 2004, D. Rafael Llano Cifuentes completa neste dia 20 de dezembro 50 anos de vida sacerdotal (Jubileu de Ouro). Nascido na cidade do México à 18 de fevereiro de 133, ordenado sacerdote em 20dedezembro de 1959. Em 1960, transferiu-se para o Brasil e foi , eleito bispo em 04/04/1990, e sagrado na Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro em 29/06/1990, ficando como auxiliar até 2004. D. Rafael é um homem de ação dentro da igreja, alegre, escritor de primeira categoria, tanto que possui mais de 47 livros editados e este ano foi empossado na Academia Brasileira de Filosofia e Academia Friburguense de Letras. É formado em direito civil pela Universidade de Salamanca e doutorado em direito canônico pela Universidade Pontifícia de São Tomás em Roma.
Como padre dispensa comentários e como bispo tem um maravilhoso trabalho pastoral, sempre mantendo o carinho pelos jovens e pela família. Ele atuou no Movimento de Renovação Carismática Católica, criou o Movimento Pró Vida, criou os encontros Jovem Rio que antecedem a cada dois anos em união com o Papa as Jornadas Mundiais da Juventude e criou também em 1992, o Instituto Pró-Família da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Em 2000 foi eleito vice presidente do Regional Leste I da CNBB e hoje é o atual presidente.
No momento em que comemora 50 anos de vida sacerdotal, D. Rafael vai receber todo povo de Deus, familiares, amigos e bispos do Brasil e vários países de fora, numa missa solene neste sábado, 19, às 10h no ginásio do Colégio Anchieta. Nesta entrevista ele aborda vários assuntos.
PS Como o senhor descobriu a sua vocação sacerdotal?
D.RAFAEL: eu na verdade não descobri a minha vocação sacerdotal, mas ela saiu do meu encontro, para minha surpresa, eu não queria ser sacerdote, mas a coisa me foi apresentada de tal maneira que eu me senti como o Senhor me chamasse, então eu a muito custo e coragem, tomei a minha determinação e a partir desse momento não tive nenhuma sombra de dúvidas sobre a vida religiosa.
PS: Que tipo de dificuldade o senhor encontrou enquanto seminarista?
D. RAFAEL: Olha, eu não encontrei nenhuma dificuldade.
PS: Qual o perfil do padre de sua época para o padre de hoje?
D. RAFAEL: São muitos aspectos, facetas, mas eu ressaltaria algumas: uma profunda vida espiritual; sintonia perfeita com o magistério pontifício; abertura a todos os problemas sociais políticos da nossa época. O padre não é alguém que está retirado no mundo mas que vive inserido no fermento da paz
PS: Além de fé e dedicação à igreja o que não pode faltar no padre?
D. RAFAEL: Não pode faltar no padre um grande amor ao nosso povo, especialmente os menos favorecidos
PS: Existe diferença de um padre formado na Europa por um formado na América?
D. RAFAEL: Existe sim, mas depende muito de cada país de cada época
PS: Duas frases marcara sua chegada “ eu aqui quero viver, eu aqui quero morrer” seu pensamento ainda é o mesmo?
D. RAFAEL: Graças a Deus, é o mesmo pensamento. Eu não sei se morrerei aqui, ou na estrada, ou sei lá, mas com certeza eu aqui quero morrer e aqui quero viver, mais ainda, já determinei o lugar onde quero ser sepultado, fizerem embaixo do altar do sacrário do seminário Diocesano, o lugar onde eu vou ficar
PS: Qual a análise que o senhor faz de alguns segmentos da Renovação Carismática Católica (RCC)? Não o seria um misto de espiritismo com igreja protestante?
D. RAFAEL: Eu fiz um trabalho bastante extenso sobre a RCC e depois vou passar para você, ele aborda muitos aspectos da RCC eu tenho que dizer que RCC bem vivida, não tem nada haver com o espiritismo nem com qualquer igreja protestante, é um momento de evangelização bastante profundo
PS: Em relação à sua chegada, poderíamos dizer que o clero diocesano evoluiu?
D. RAFAEL; Eu penso que o nosso clero diocesano é muito bom, penso também que no decorrer destes 5 anos, houve um grande amadurecimento por parte de todos
PS: Qual o fato que mais marcou o senhor nestes 5 anos de episcopado?
D. RAFAEL: Eu não posso dizer qual é o fato, talvez um fato muito importante que é o carinho demonstrado pelo povo, eu tenho encontrado nas 54 paróquias da diocese e nos 19 municípios um carinho muito grande, às vezes um carinho que se manifesta de uma forma plausível, radiante, com abraços, homenagens. E é uma coisa que comove. Eu tenho que agradecer ao povo, aos fiéis da nossa diocese toda, talvez seja este o fato mais marcante.
PS: O senhor considera que sua maior obra foi a construção do seminário?
D. RAFAEL: Acredito que sim, uma obra que eu não sei até agora como conseguir realizar, porque não tínhamos dinheiro, nós fizemos uma campanha em várias fases, as paróquias contribuíram, foram generosas, também conseguimos de maneira bastante providencial, vender ou conseguir desapropriar alguns terrenos , conseguimos dinheiro em algumas entidades da Alemanha,pedi fisicamente a algumas empresas e superamos esta caminha com muita generosidade de todos. Temos que ressaltar aqui Chico Faria da Stam, ele pagou inteira todas as obras da capela, depois dona Helena sua esposa, agora o Rogério seu filho, por isso a eles temos que ter um agradecimento muito especial
PS: O que ainda falta na diocese? Muita gente diz que o Vicariato Litoral é uma diocese dentro da outra, o senhor concorda com isso?
D. RAFAEL: Eu solicitei ao Núncio Apostólico que fizesse uma nova diocese compreendendo todo Vicariato Litoral, junto com Buzios e Cabo Frio. Ele disse que não estava na hora e que haviam outras dioceses mais necessitadas,m então eu PDI um bispo auxiliar, ele disse, “ isso é mais possível”, mas a verdade é que não saiu, portanto temos que acolher a todos.
PS: Pastoralmente falando o senhor conseguiu realizar todos os seus projetos:
D. RAFAEL: Não todos não, eu gostaria que tudo corresse melhor, que houvesse uma evangelização mais profunda, que a missão popular desse mais resultados, mas eu estou muito contente com as realizações pastorais que se deram na diocese.
PS: Nova Friburgo é uma cidade com 25% da população sem emprego e 9% sem alfabetização, de que forma a igreja pode ajudar nesse sentido?
D. RAFAEL: A igreja pode ajudar de uma maneira limitada, s setor de empregos temos a Cáritas Diocesana que tem um balcão funcionando diariamente e tem conseguido graças a Deus grandes benefícios, na alfabetização todas as paróquias tem um grande trabalho e temos o trabalho de catequese que é de suma importância para a diocese.
AVS: O senhor disse quando assumiu, que não queria padre de aquário, dentro de sacristia, conseguiu fazer isso acontecer?
D. RAFAEL: Nós somos pescadores, Nosso Senhor nos disse que somos pescadores de homens e também nos disse Duc in Alto, o que é um arauto, então é triste ver que nós nos dediquemos a fazer um trabalho de pesca dentro o aquário, das sacristias, dos salões paroquiais, evangelizando os que já estão evangelizados, quando na realidade teríamos que sair, eu penso que em grande parte nós conseguimos com a missão popular. Há paróquias que tem mais de 100 missionários e essa missão popular tem feito grandes progressos.
PS: Nossa diocese é privilegiada no seu se refere a vocação sacerdotal, a que o senhor credita esse sucesso, ao contrário de outras do Estado do Rio ou do Brasil?
D. RAFAEL: Realmente a nossa diocese tem um crescimento vocacional muito bom, eu consegui ordenar mais de 25 sacerdotes e outros diáconos, as vocações aumentam a cada dia, penso que isso é o reflexo do impulso que temos dado à Pastoral Vocacional e também ao bom desempenho que tem o nosso seminário diocesano, tanto na parte humana, como na parte formativa. Humanamente é um grande ambiente, propicia isso, foi construído para que não parecesse um quartel, e também um mosteiro, os padres tem que compreender que são padres ceculares e tem que viver na sua casa paroquial. A casa paroquial tem que ser uma projeção do seminário e o seminário uma projeção da família.
PS: O que fazer para resgatar a família, diante de uma mídia que prega desunião, prostituição, violência e tudo que gera discórdia.
D. RAFAEL: A família é tudo, o homem, nasce, se sacrifica e morre numa família, a vida é uma família, então a dissolução da família é a dissolução da célula básica da sociedade. Tem que haver em nós um grande empenho de se envolver a Pastoral Familiar que na nossa diocese e á prioridade. Os valores e os contra valores da sociedade constituem os valores e contra valores da nossa família. Infelizmente os meios de comunicação social, as propagandas pornográficas as novelas prejudicam muitos, mas nós somos responsáveis para isso não acontecer.
PS: Igreja e política combinam?
D. RAFAEL: sim combinam, porque, o cidadão e fiel, então quem tem que fazer a política é o próprio leigo e esse leigo, fiel da igreja tem que ser o protagonista da ação política. É triste ver como a falta de leigos católicos que realmente lutem para conseguir uma ação política considerável. O que não combina é a igreja com a política partidária. A igreja não pode optar por partidos, especialmente porque sendo a igreja universal católica, não pode se inclinar por uma parte, o partido é parte, portanto igreja não combina com tendência partidária
PS: O que eu não perguntei e o senhor gostaria de citar?
D. RAFAEL: Acho que tudo foi perguntado, mas eu gostaria de dizer que nestes 5 anos tenho que dar muitas graças a Deus, por todo carinho que recebi da sociedade num todo, nesta cidade querida, agradável. O friburguense não é demagógico, não faz amizades facilmente, mas é fiel ás suas amizades.

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